A culpa não é da criança
Criança não nasce viciada em tela. Ela aprende com o ambiente que a gente cria. A culpa não é dela, e a responsabilidade de guiar é nossa.

Vou falar uma coisa que incomoda. Se a criança é um problema, geralmente o problema começou nos adultos. A criança é uma massinha. Quem molda somos nós.
Calma. Isso não é para te fazer sentir culpa. É para te devolver o poder.
Por que isso é uma boa notícia
Se o problema estivesse na criança, você não poderia fazer muita coisa. Como o ambiente é construído pelos adultos, dá para mudar. Hoje. Dentro da sua casa.
O contexto é pesado, eu sei
Pai e mãe trabalhando demais para pagar as contas. Chegam em casa exaustos. A criança pede atenção, o adulto não tem energia, e o tablet aparece como a solução mais fácil do mundo. Eu entendo. De verdade.
O problema não é usar uma vez. É virar o único jeito de lidar com a criança.
O que eu vejo acontecer
- Pais que não conseguem dizer não, porque têm medo de não serem amados pelos filhos.
- Crianças que nunca se frustram, porque tudo chega na hora.
- Casas onde ninguém conversa sobre sentimentos, então a criança não aprende a nomear o que sente.
Tirar a culpa não é tirar a responsabilidade
Uma coisa precisa ficar muito clara. Dizer que a culpa não é da criança não é dizer que tudo bem. "É a fase" explica, mas não justifica. Birra, grito e empurrão afetam quem está em volta, e a criança precisa aprender isso.
Quem ensina é o adulto. Não com castigo, que só gera raiva e sensação de injustiça. Com autoridade e conexão: ouvir primeiro, explicar o porquê do combinado e mostrar a consequência do que ela fez. A criança coopera com quem ela admira e em quem confia.
A culpa não é da criança. A responsabilidade de guiar é nossa.
Viveu algo parecido em casa? Conte pra gente. A Clau pode responder em vídeo, sem identificar você.
Contar a minha históriaLeia também
FamíliaQuem está atrás da máscara? Therian, furry e fetiche: o que os pais precisam separar
Antes de proibir a fantasia, pergunte do que seu filho está fugindo. Brincar, ser therian e fetichizar são coisas diferentes, e o risco de verdade é o adulto que usa a mesma máscara para chegar perto dele.
Ler artigo →
EscolaO recreio que continua no celular: o cyberbullying começa na escola, e a conversa começa em casa
Um estudo da Unifesp com 4,2 mil adolescentes mostrou que a violência na internet quase sempre continua um conflito que nasceu no pátio. Tirar o celular de castigo não resolve. Perguntar como foi o recreio, sim.
Ler artigo →